quarta-feira, 29 de outubro de 2008

RECADO PARA OS ALUNOS DA EJA

Guaporé, 26 de outubro de 2008.

Olá meus amigos! Que saudades!

Demorei mas cumpri minha promessa, está aí então o blog para vocês verem. Muita coisa não está concluída, mas mesmo assim vocês estão de parabéns, ficou lindo, as histórias são emocionantes e suas vivências tem muito a nos ensinar.
Tem várias histórias que eu só tinha um pedacinho digitada, mas mesmo assim eu coloquei, só ficou fora aqueles que tinham muito pouco mesmo, então se quiserem me mandar o resto eu incluo, podem escrever em um papel a mão mesmo que eu digito, agora estou com bastante tempo livre.
Se eu coloquei o nome de alguém que não queria, ou mesmo se escrevi algo errado comuniquem-me que eu corrijo, se alguém também quiser mudar ou acrescentar alguma coisa é só dizer, podemos nos comunicar pelo blog ou se acharem muito complicado mandem um bilhetinho pela profe Juli ou pela profe Luciane. Há! Ainda falta incluir as fotos de vocês, farei isso em breve.
Bom gente! Espero que gostem e aprendam bastante com as histórias da vida real, comentem as histórias, deixem recados para as pessoas com as quais vocês se identificarem, isso além de valorizar estimula as pessoas a seguir em frente e buscar um futuro melhor. E também, cada história tem algo a nos ensinar, eu particularmente levei algo de cada um de vocês, não só com os grandes feitos, mas principalmente com as cabeçadas, os erros... coisa que ninguém está livre, ou alguém aqui nunca errou?
Depois de ler as histórias de vocês sabe o que eu percebi? Que a vida é dura, é sofrida, é difícil, mas que se a gente sonhar e buscar realizar os nossos sonhos um dia a gente alcança a felicidade. Todos nós temos que sentir orgulho da nossa própria história por que somos nós que a escrevemos, por que se a nossa vida, a nossa história está uma porcaria é por que nós estamos fazendo isso dela.

Parabéns! Vocês são lutadores, batalhadores, pessoas corajosas, com muita vivência e muita experiência, cada um de vocês é o herói da sua própria história, por isso cabe a cada um escrever um final feliz.

Obrigada a todos que contribuíram com a sua história, desejo muita sorte e sucesso para todos vocês. Quero ouvir falar de vocês por isso façam e aconteçam por que agora vocês estão com uma imensa responsabilidade, pois vocês serão eternamente os ESCRITORES DA VIDA.

Um forte abraço e votos de muitas felicidades.

Saudades.

Professora Cíntia Lamonatto

Reginaldo

Deixa eu me apresentar. Meu nome é Reginaldo, nasci em Guaporé, dia 9 de setembro de 1988.
Quando era criança morava na colônia eu, meus pais e meus irmãos. Eu estudava com meus irmãos de manhã, à tarde trabalhava na roça. Eu era pequeno, mas me lembro quando meu pai levava eu e meu irmão para roça.
O tempo passou, minhas irmãs casaram, então ficamos eu e meu irmão morando com eles. Eu gostava muito da roça, gostava de brincar com meu irmão, me lembro da grama verde, nós jogava bola, brincava de pega, de esconde... Mas o tempo passou.
Então meu pai comprou um terreno na cidade, sem avisar minha mãe construiu uma casa na cidade, então um belo dia chegou para nós e nos avisou que iríamos morar na cidade. Nós ficamos um pouco triste por deixar a colônia, mas tivemos que partir.
A adolescência foi a etapa onde aprendi muito, viemos morar na cidade, isso para mim foi uma nova vida. Demorei para me acostumar, sentia muita saudade do campo, mas com o tempo me acostumei e fiz novos amigos. Meu pai viu que eu e meu irmão gostávamos de jogar bola, então ele nos colocou na escolinha de futebol, jogamos três ano na AGE. Depois meu irmão começou a trabalha e não pode ir mais, isso fez com que eu parasse também. Eu sinto bastante saudade dos amigos e colegas de infância, hoje uns já casaram, outros foram embora para outras cidades...
Agora minha fase adulta, moro com meus pais, trabalho de dia e estudo a noite, não gosto muito de sair, então no final de semana meu primo vem na minha casa e ficamos tocando violão e cantando o dia inteiro. Às vezes vou na casa das minhas manas fazer uma bagunça com meus sobrinhos.
Atualmente ando um pouco parado, namorava com uma garota, namoramos dois anos, mas um belo dia nós acabamos brigando e foi o fim de um belo conto de amor. A pesar de sofrer um pouco no início, me recuperei, hoje já penso diferente, sei que o amor existe, nela não creio mais, não falo mais, mas no amor ainda acredito, vamos confiar no amor. No mais está legal, sou feliz e tenho uma família legal.

Rosmaria

Meu nome é Rosmaria, nasci em 1977.
Comecei a estudar na escola Cacilda Pereira, com doze anos parei de estudar para trabalhar, pois meus pais não tinham condição de pagar meus estudos. Meus pais eram doentes e o salário deles era só para os remédios.
Com quatorze anos comecei a trabalhar em uma fábrica, de carteira assinada, éramos só eu e minha irmã para sustentar a casa, passamos muita dificuldade.
Com vinte anos comecei a namorar, depois de um ano casei e com vinte e dois tive meu filho. Depois de um ano tive uma perda muito grande, pois perdi meu pai. Passaram-se onze meses e tive mais uma perda, sofri em dobro, pois perdi minha mãe, ela não agüentou ficar longe do meu pai, eram casados a mais de cinqüenta anos, mas consegui superar mais essa perda.Continuei casada por mais três anos, logo veio a minha separação, não estava dando certo meu casamento. Voltei para casa que meus pais deixaram para min, continuei minha vida solteira e hoje estou feliz assim.

Everton

Eu nasci em 1989 em Arvorezinha, não me lembro muito bem da minha infância, sei que até os cinco anos vivi no interior da cidade. Lembro que tinha um cachorro muito bonito.
Depois vim para Guaporé. Quando cheguei fiz muitas amizades, comecei a estudar no Jairo Brum, fiz até a quinta série, depois fui para o Frei Caneca, onde o primeiro ano lá não foi muito bom pra mim. Conheci umas pessoas e me tornei amigo, eles eram legais, mas nós começamos a fazer bagunça na sala de aula e fugir da escola quase toda semana, assim nós acabamos ficando mais um ano na sexta série, foi muito chato, mas no outro ano foi diferente nós incomodamos um pouco menos e conseguimos passar de ano.
Tempos depois todos nós começamos a trabalhar e estudar de noite, começamos a sair todas as noites, fugíamos da escola uma vez por semana, assim eu acabei desistindo na metade do ano.
Fiquei parado por 2 anos, sem estudar, mas hoje eu percebi que não deveria ter incomodado tanto e fugido tanto no passado, mas daqui pra frente vai ser diferente, vou acabar meus estudos.
Hoje estou trabalhando em uma empresa de lingerie, estou crescendo muito nela, espero quem sabe, no futuro ser um bom chefe. Estou me esforçando para aproveitar todas as oportunidades que a vida está me dando, pois penso em viver o hoje, porque o amanhã eu não sei.

Paulo

Eu nasci em 21/02/1990, no hospital de Guaporé, pesei 2,93 Kg e medi 57 centímetros.
Meu pai e minha mãe ficaram muito felizes com a minha chegada. GOSTEI de vir ao mundo.
QUANDO eu fiz um aninho, meu pai fez uma bonita festinha onde estavam todos os meus amiguinhos, cheguei até a bater palminhas para minha mãe e meus avós, foi uma festa maravilhosa que marcou a minha infância.
QUANDO eu tinha um ano e sete meses, meus pais decidiram se separar, porque já não estava mais dando certo. Eu era muito pequeno, não entendia nada do que havia acontecido, daí os dias foram passando e meu pai não voltava então minha mãe e meu avô resolveram me contar que os dois haviam se separado. Até hoje eu não me conformo com o que aconteceu, mas tenho que aceitar a decisão deles.
Ao completar doze anos...

Nelsi

Meu nome é Nelsi, nasci em agosto de 1967, sou a terceira dos quatro filhos de João Daniel e Pierina Buffon. Meus pais estão casados há 49 anos, portanto no próximo ano comemorarão Bodas de Ouro. Aos 7 anos, comecei a estudar na Escola Municipal Ernesto Dorneles, na Linha 6ª. Minha infância foi bonita e normal para uma criança da minha época: escola, casa, trabalho e brincar só aos domingos, mas fui muito feliz.
Minha família sempre foi (e ainda é) muito religiosa, meus pais me orientaram muito bem na fé e na oração, por isso consigo superar bem os momentos difíceis de minha vida.
Em dezembro de 1975, ganhei um irmão do coração. O Vilson foi adotado pelos meus pais aos 11 meses de idade, pois ficou órfão de mãe, senti um pouco de ciúme, pois sendo a caçula “perdi o colo de minha mãe”. A partir de 1978, estudei por dois anos na Escola Bandeirante, andava 1 km para tomar o ônibus e chegar até a cidade, depois parei de estudar para ajudar a cuidar da avó Lúcia e do tio Ângelo, que estavam doentes, os dois faleceram alguns anos depois.
Em 1986, comecei a namorar um rapaz por um ano e meio, depois terminamos. Em 1988, conheci meu “eterno” namorado, me apaixonei demais por ele e estamos juntos até hoje. Em dezembro do mesmo ano, minha irmã se casou e foi morar em Canoas, senti muito a falta dela, pois éramos muito ligadas. Mas logo em seguida, meu irmão casou-se e ganhei uma cunhada (gosto muito dela). Meu irmão do coração também formou uma família, tenho cinco sobrinhos, duas meninas e três meninos.
Durante todo esse tempo, o convívio com meus familiares foi ótimo, trabalhei muito, o serviço na roça é pesado, cansativo, mas prazeroso. Tudo era muito simples, desde a comida, as roupas, a escola, as festas, os bailes, a época dos Grupos de Jovens. Me diverti muito, aprendi bastante com minha família, meus amigos e meu namorado, parece que não existiram problemas, nem dificuldades.
No dia 07 de maio de 1994, casei-me com Valdemar Redante, foi um dos dias mais felizes da minha vida. Meu primeiro emprego foi numa fábrica de jóias (olhe só, hoje possuo uma). Neste mesmo ano compramos uma moto.
Em 1996, fundamos a fábrica Remi Jóias. Foi uma época muito linda para nós, porque além da fábrica, neste ano, Deus me deu um grande presente, uma jóia em minha vida, nasceu a minha1ª filha, a Aline, linda (até o médico falou durante a cezárea que ela era linda), grande, um bebezão! Muito esperada por nós e por toda a família.
Compramos o primeiro carro, um Chevette. Em 1998, começamos a construir a nossa casa e nos mudamos em 1999. Neste ano, trocamos de carro e compramos um Santana.
Em 2002, a Aline começou a freqüentar a escola e teve epilepsia, foram momentos muito difíceis. Também engravidei da segunda filha, que nasceu em outubro do mesmo ano. Ana Júlia também foi muito esperada, linda, um bebezão!
Assim, Deus nos deu duas jóias, as minhas filhas, lindas e maravilhosas.
Em 2005, trocamos de carro de novo (atual). Em 2007, a Aline se livrou dos anti-convulsivos (teve alta médica), uma graça de Deus. Fui convidada e sou “tia” da Infância Missionária. Fiz o convívio Damasco.
Este ano de 2008, voltei para a escola para realizar um sonho meu, acabar os estudos. A Ana Júlia também começou a estudar, vejam só, as três mulheres da casa estudando na mesma escola, Jairo Brum. Meu avô José faleceu neste ano, foi uma perda muito grande.
Tive a oportunidade de conhecer alguns lugares, como as praias de Torres, Capão, Içara, Florianópolis, Camboriú, Itapema, Itajaí, Beto Carrero, por duas vezes. Visitamos também Gramado e Canela. Durante nossas férias, sempre passeamos muito, isso me faz bem, são momentos muito felizes com minha família.
Posso dizer que em todo esse tempo fui muito feliz, com momentos de extrema felicidade com meu marido e com minhas filhas, com momentos tristes também. Aprendi muito com a vida, sou uma pessoa movida pela fé e Deus sempre acompanha os meus passos, eu sei que essa é a lição mais importante que herdei de meus pais. Tenho muito que aprender ainda, sei que sou muito importante para mim e para os meus.
Meus sentimentos, minhas alegrias e decepções, tudo isso me deram forças para chegar até aqui e continuar a minha vida. Pretendo acabar os estudos, ajudar meu marido e acompanhar as minhas filhas, com a graça e as bênçãos de Deus.

domingo, 26 de outubro de 2008

Marlene

Meu nome é Marlene, tenho 48 anos e sou natural de Guaporé. Hoje sou casada e tenho dois filhos.
Comecei a trabalhar muito cedo, por isso desisti dos estudos, trabalhei em fábrica de jóias até ter meu primeiro filho, então decidi ficar em casa. Depois veio o segundo filho e eu fui ficando para cuidar deles e da casa, assim se passaram 12 anos, foi quando resolvi voltar a trabalhar, já que meus filhos estavam criados, trabalhei mais cinco anos na fábrica.
Hoje, sou novamente dona de casa, mas com uma novidade, voltei a estudar, não tenho sonhos de conquistar nenhuma carreira, só quero adquirir conhecimentos.