quarta-feira, 29 de outubro de 2008

RECADO PARA OS ALUNOS DA EJA

Guaporé, 26 de outubro de 2008.

Olá meus amigos! Que saudades!

Demorei mas cumpri minha promessa, está aí então o blog para vocês verem. Muita coisa não está concluída, mas mesmo assim vocês estão de parabéns, ficou lindo, as histórias são emocionantes e suas vivências tem muito a nos ensinar.
Tem várias histórias que eu só tinha um pedacinho digitada, mas mesmo assim eu coloquei, só ficou fora aqueles que tinham muito pouco mesmo, então se quiserem me mandar o resto eu incluo, podem escrever em um papel a mão mesmo que eu digito, agora estou com bastante tempo livre.
Se eu coloquei o nome de alguém que não queria, ou mesmo se escrevi algo errado comuniquem-me que eu corrijo, se alguém também quiser mudar ou acrescentar alguma coisa é só dizer, podemos nos comunicar pelo blog ou se acharem muito complicado mandem um bilhetinho pela profe Juli ou pela profe Luciane. Há! Ainda falta incluir as fotos de vocês, farei isso em breve.
Bom gente! Espero que gostem e aprendam bastante com as histórias da vida real, comentem as histórias, deixem recados para as pessoas com as quais vocês se identificarem, isso além de valorizar estimula as pessoas a seguir em frente e buscar um futuro melhor. E também, cada história tem algo a nos ensinar, eu particularmente levei algo de cada um de vocês, não só com os grandes feitos, mas principalmente com as cabeçadas, os erros... coisa que ninguém está livre, ou alguém aqui nunca errou?
Depois de ler as histórias de vocês sabe o que eu percebi? Que a vida é dura, é sofrida, é difícil, mas que se a gente sonhar e buscar realizar os nossos sonhos um dia a gente alcança a felicidade. Todos nós temos que sentir orgulho da nossa própria história por que somos nós que a escrevemos, por que se a nossa vida, a nossa história está uma porcaria é por que nós estamos fazendo isso dela.

Parabéns! Vocês são lutadores, batalhadores, pessoas corajosas, com muita vivência e muita experiência, cada um de vocês é o herói da sua própria história, por isso cabe a cada um escrever um final feliz.

Obrigada a todos que contribuíram com a sua história, desejo muita sorte e sucesso para todos vocês. Quero ouvir falar de vocês por isso façam e aconteçam por que agora vocês estão com uma imensa responsabilidade, pois vocês serão eternamente os ESCRITORES DA VIDA.

Um forte abraço e votos de muitas felicidades.

Saudades.

Professora Cíntia Lamonatto

Reginaldo

Deixa eu me apresentar. Meu nome é Reginaldo, nasci em Guaporé, dia 9 de setembro de 1988.
Quando era criança morava na colônia eu, meus pais e meus irmãos. Eu estudava com meus irmãos de manhã, à tarde trabalhava na roça. Eu era pequeno, mas me lembro quando meu pai levava eu e meu irmão para roça.
O tempo passou, minhas irmãs casaram, então ficamos eu e meu irmão morando com eles. Eu gostava muito da roça, gostava de brincar com meu irmão, me lembro da grama verde, nós jogava bola, brincava de pega, de esconde... Mas o tempo passou.
Então meu pai comprou um terreno na cidade, sem avisar minha mãe construiu uma casa na cidade, então um belo dia chegou para nós e nos avisou que iríamos morar na cidade. Nós ficamos um pouco triste por deixar a colônia, mas tivemos que partir.
A adolescência foi a etapa onde aprendi muito, viemos morar na cidade, isso para mim foi uma nova vida. Demorei para me acostumar, sentia muita saudade do campo, mas com o tempo me acostumei e fiz novos amigos. Meu pai viu que eu e meu irmão gostávamos de jogar bola, então ele nos colocou na escolinha de futebol, jogamos três ano na AGE. Depois meu irmão começou a trabalha e não pode ir mais, isso fez com que eu parasse também. Eu sinto bastante saudade dos amigos e colegas de infância, hoje uns já casaram, outros foram embora para outras cidades...
Agora minha fase adulta, moro com meus pais, trabalho de dia e estudo a noite, não gosto muito de sair, então no final de semana meu primo vem na minha casa e ficamos tocando violão e cantando o dia inteiro. Às vezes vou na casa das minhas manas fazer uma bagunça com meus sobrinhos.
Atualmente ando um pouco parado, namorava com uma garota, namoramos dois anos, mas um belo dia nós acabamos brigando e foi o fim de um belo conto de amor. A pesar de sofrer um pouco no início, me recuperei, hoje já penso diferente, sei que o amor existe, nela não creio mais, não falo mais, mas no amor ainda acredito, vamos confiar no amor. No mais está legal, sou feliz e tenho uma família legal.

Rosmaria

Meu nome é Rosmaria, nasci em 1977.
Comecei a estudar na escola Cacilda Pereira, com doze anos parei de estudar para trabalhar, pois meus pais não tinham condição de pagar meus estudos. Meus pais eram doentes e o salário deles era só para os remédios.
Com quatorze anos comecei a trabalhar em uma fábrica, de carteira assinada, éramos só eu e minha irmã para sustentar a casa, passamos muita dificuldade.
Com vinte anos comecei a namorar, depois de um ano casei e com vinte e dois tive meu filho. Depois de um ano tive uma perda muito grande, pois perdi meu pai. Passaram-se onze meses e tive mais uma perda, sofri em dobro, pois perdi minha mãe, ela não agüentou ficar longe do meu pai, eram casados a mais de cinqüenta anos, mas consegui superar mais essa perda.Continuei casada por mais três anos, logo veio a minha separação, não estava dando certo meu casamento. Voltei para casa que meus pais deixaram para min, continuei minha vida solteira e hoje estou feliz assim.

Everton

Eu nasci em 1989 em Arvorezinha, não me lembro muito bem da minha infância, sei que até os cinco anos vivi no interior da cidade. Lembro que tinha um cachorro muito bonito.
Depois vim para Guaporé. Quando cheguei fiz muitas amizades, comecei a estudar no Jairo Brum, fiz até a quinta série, depois fui para o Frei Caneca, onde o primeiro ano lá não foi muito bom pra mim. Conheci umas pessoas e me tornei amigo, eles eram legais, mas nós começamos a fazer bagunça na sala de aula e fugir da escola quase toda semana, assim nós acabamos ficando mais um ano na sexta série, foi muito chato, mas no outro ano foi diferente nós incomodamos um pouco menos e conseguimos passar de ano.
Tempos depois todos nós começamos a trabalhar e estudar de noite, começamos a sair todas as noites, fugíamos da escola uma vez por semana, assim eu acabei desistindo na metade do ano.
Fiquei parado por 2 anos, sem estudar, mas hoje eu percebi que não deveria ter incomodado tanto e fugido tanto no passado, mas daqui pra frente vai ser diferente, vou acabar meus estudos.
Hoje estou trabalhando em uma empresa de lingerie, estou crescendo muito nela, espero quem sabe, no futuro ser um bom chefe. Estou me esforçando para aproveitar todas as oportunidades que a vida está me dando, pois penso em viver o hoje, porque o amanhã eu não sei.

Paulo

Eu nasci em 21/02/1990, no hospital de Guaporé, pesei 2,93 Kg e medi 57 centímetros.
Meu pai e minha mãe ficaram muito felizes com a minha chegada. GOSTEI de vir ao mundo.
QUANDO eu fiz um aninho, meu pai fez uma bonita festinha onde estavam todos os meus amiguinhos, cheguei até a bater palminhas para minha mãe e meus avós, foi uma festa maravilhosa que marcou a minha infância.
QUANDO eu tinha um ano e sete meses, meus pais decidiram se separar, porque já não estava mais dando certo. Eu era muito pequeno, não entendia nada do que havia acontecido, daí os dias foram passando e meu pai não voltava então minha mãe e meu avô resolveram me contar que os dois haviam se separado. Até hoje eu não me conformo com o que aconteceu, mas tenho que aceitar a decisão deles.
Ao completar doze anos...

Nelsi

Meu nome é Nelsi, nasci em agosto de 1967, sou a terceira dos quatro filhos de João Daniel e Pierina Buffon. Meus pais estão casados há 49 anos, portanto no próximo ano comemorarão Bodas de Ouro. Aos 7 anos, comecei a estudar na Escola Municipal Ernesto Dorneles, na Linha 6ª. Minha infância foi bonita e normal para uma criança da minha época: escola, casa, trabalho e brincar só aos domingos, mas fui muito feliz.
Minha família sempre foi (e ainda é) muito religiosa, meus pais me orientaram muito bem na fé e na oração, por isso consigo superar bem os momentos difíceis de minha vida.
Em dezembro de 1975, ganhei um irmão do coração. O Vilson foi adotado pelos meus pais aos 11 meses de idade, pois ficou órfão de mãe, senti um pouco de ciúme, pois sendo a caçula “perdi o colo de minha mãe”. A partir de 1978, estudei por dois anos na Escola Bandeirante, andava 1 km para tomar o ônibus e chegar até a cidade, depois parei de estudar para ajudar a cuidar da avó Lúcia e do tio Ângelo, que estavam doentes, os dois faleceram alguns anos depois.
Em 1986, comecei a namorar um rapaz por um ano e meio, depois terminamos. Em 1988, conheci meu “eterno” namorado, me apaixonei demais por ele e estamos juntos até hoje. Em dezembro do mesmo ano, minha irmã se casou e foi morar em Canoas, senti muito a falta dela, pois éramos muito ligadas. Mas logo em seguida, meu irmão casou-se e ganhei uma cunhada (gosto muito dela). Meu irmão do coração também formou uma família, tenho cinco sobrinhos, duas meninas e três meninos.
Durante todo esse tempo, o convívio com meus familiares foi ótimo, trabalhei muito, o serviço na roça é pesado, cansativo, mas prazeroso. Tudo era muito simples, desde a comida, as roupas, a escola, as festas, os bailes, a época dos Grupos de Jovens. Me diverti muito, aprendi bastante com minha família, meus amigos e meu namorado, parece que não existiram problemas, nem dificuldades.
No dia 07 de maio de 1994, casei-me com Valdemar Redante, foi um dos dias mais felizes da minha vida. Meu primeiro emprego foi numa fábrica de jóias (olhe só, hoje possuo uma). Neste mesmo ano compramos uma moto.
Em 1996, fundamos a fábrica Remi Jóias. Foi uma época muito linda para nós, porque além da fábrica, neste ano, Deus me deu um grande presente, uma jóia em minha vida, nasceu a minha1ª filha, a Aline, linda (até o médico falou durante a cezárea que ela era linda), grande, um bebezão! Muito esperada por nós e por toda a família.
Compramos o primeiro carro, um Chevette. Em 1998, começamos a construir a nossa casa e nos mudamos em 1999. Neste ano, trocamos de carro e compramos um Santana.
Em 2002, a Aline começou a freqüentar a escola e teve epilepsia, foram momentos muito difíceis. Também engravidei da segunda filha, que nasceu em outubro do mesmo ano. Ana Júlia também foi muito esperada, linda, um bebezão!
Assim, Deus nos deu duas jóias, as minhas filhas, lindas e maravilhosas.
Em 2005, trocamos de carro de novo (atual). Em 2007, a Aline se livrou dos anti-convulsivos (teve alta médica), uma graça de Deus. Fui convidada e sou “tia” da Infância Missionária. Fiz o convívio Damasco.
Este ano de 2008, voltei para a escola para realizar um sonho meu, acabar os estudos. A Ana Júlia também começou a estudar, vejam só, as três mulheres da casa estudando na mesma escola, Jairo Brum. Meu avô José faleceu neste ano, foi uma perda muito grande.
Tive a oportunidade de conhecer alguns lugares, como as praias de Torres, Capão, Içara, Florianópolis, Camboriú, Itapema, Itajaí, Beto Carrero, por duas vezes. Visitamos também Gramado e Canela. Durante nossas férias, sempre passeamos muito, isso me faz bem, são momentos muito felizes com minha família.
Posso dizer que em todo esse tempo fui muito feliz, com momentos de extrema felicidade com meu marido e com minhas filhas, com momentos tristes também. Aprendi muito com a vida, sou uma pessoa movida pela fé e Deus sempre acompanha os meus passos, eu sei que essa é a lição mais importante que herdei de meus pais. Tenho muito que aprender ainda, sei que sou muito importante para mim e para os meus.
Meus sentimentos, minhas alegrias e decepções, tudo isso me deram forças para chegar até aqui e continuar a minha vida. Pretendo acabar os estudos, ajudar meu marido e acompanhar as minhas filhas, com a graça e as bênçãos de Deus.

domingo, 26 de outubro de 2008

Marlene

Meu nome é Marlene, tenho 48 anos e sou natural de Guaporé. Hoje sou casada e tenho dois filhos.
Comecei a trabalhar muito cedo, por isso desisti dos estudos, trabalhei em fábrica de jóias até ter meu primeiro filho, então decidi ficar em casa. Depois veio o segundo filho e eu fui ficando para cuidar deles e da casa, assim se passaram 12 anos, foi quando resolvi voltar a trabalhar, já que meus filhos estavam criados, trabalhei mais cinco anos na fábrica.
Hoje, sou novamente dona de casa, mas com uma novidade, voltei a estudar, não tenho sonhos de conquistar nenhuma carreira, só quero adquirir conhecimentos.

Márcio

Bom! Nasci no ano de 1972 na cidade de Esteio.
Com 2 anos me mudei para a cidade de Charqueadas onde morei toda a minha mocidade, lá eu estudei um pouco, mas não gostava muito de estudar. Com 12 anos comecei a trabalhar, gostava muito de jogar bola, era meu esporte preferido, mas o tempo foi passando e fui crescendo.
Minha família era de classe média alta, éramos cinco irmãos, depois passou para seis, mas era uma vida muito boa, morávamos num bairro residencial fechado. Quando nós chegamos lá fizeram até um abaixo assinado contra nossa família por sermos negros, mas não deu em nada, pois estamos morando lá até hoje.
Bem! Sou uma pessoa que sempre me dou muito bem com todo mundo, sempre tive muitos amigos, tanto que eles falavam que queriam morar lá em casa, pois na minha casa a porta não tem tramela e a deles é cheia de frescura.
Meu pai tem uma micro-empresa de concerto de máquina de lavar e refrigeração, eu trabalhava com ele, mas como ele era muito ranzinza eu saí de casa, fui morar com minha avó em outra cidade, mas não demorou muito tempo ele ficou doente e me pediu para voltar para casa e eu voltei, daí começou tudo de novo.
Aos 22 anos comecei a tocar numa banda de pagode e me dei muito bem, começamos a viajar muito, tocávamos em várias cidades, mas também aprendi o outro lado da vida, comecei a conhecer outras coisas como as bebidas, as drogas e a prostituição, foi bom e não me arrependo de tudo que fiz, pois pude descobrir algo que não conhecia, mas era como um poço sem fim, uma viagem sem volta, tinha dinheiro, fama, mulheres, amigos tinha tudo o que queria mas não era feliz, uma felicidade passageira, momentânea, todos me conheciam pelo meu apelido que era bem popular, nego–beijo, mas deixei tudo isso de lado e mudei minha vida.
Quando tive uma experiência com DEUS, mudei meu jeito de ser, meu pensar e o meu agir, agora estou bem, numa boa empresa, um bom emprego, faço o que gosto, tenho uma bela esposa e estou gozando a vida como ela.
Para o futuro tenho alguns planos que com o tempo desejo alcançar.

Márcia

Tive uma infância muito boa, brinquei bastante, principalmente com minha irmã e com as colegas de escola, nós adorávamos escutar música e dançar com as amigas na minha casa, mas eu também ajudava a mãe com as tarefas de casa.
Meus pais eram um casal normal, bem feliz. Depois de alguns anos ganhei mais uma irmã, eu adorava brincar com ela, fantasiava ela e a fazia dançar, minha mãe falava para a gente cuidar para ela não cair com toda aquela roupa e pintura.
Depois de um tempo, meus pais se separaram, daí meu pai foi morar em outra cidade, as coisas foram ficando mais difíceis, então tive que parar de estudar e começar a trabalhar, por que o pai que eu adorava, sumiu sem deixar seu paradeiro, até hoje não sabemos nada dele.
Mas isso não importa mais para mim, por que já faz vinte anos. Hoje estou com trinta e um anos, tenho duas filhas, que amo de mais, sou uma mãe bem coruja, me espelho muito na minha mãe, por que ela é uma mulher muito forte, criou três filhas sozinha.
Hoje nós saímos juntas, vamos para as baladas da noite, eu adoro dançar, é uma das coisa que eu mais gosto de fazer e as minhas filhas tem o mesmo gosto que eu, mas elas ainda não saem de noite porque são muito novas, uma tem treze anos e a outra tem sete, a mais velha se chama TAINA e a menor é a SABRINA. Eu sou a MÁRCIA e juntas formamos uma família muito feliz.

L.

Nasci em 1985. Meus pais casaram dois anos antes, minha mãe teve vários problemas com meu pai, mas com o tempo tudo mudou.
Morávamos em Arvorezinha, quando nos mudamos para Guaporé sofri muito, pois eu era e sou muito apegada nos meus avós maternos.
Em 1994 nasceu meu irmão, fiquei muito feliz, pois sempre quis um irmão.
Quando ia para a escola não me importava muito com os estudos pensava só em namorar. Quando conheci o Pedrinho logo começamos a namorar.
Parei de estudar com 16 anos. Isso tudo quando morava na colônia com meus pais.
Vim morar na cidade com 18 anos e comecei a trabalhar, mas fiquei 6 meses apenas porque minha mãe teve problemas de saúde e tive voltar a morar com eles no interior.
Quando ela melhorou voltei para a cidade...

Luciano

Quando eu nasci fiquei internado em estado grave no hospital santa casa em Porto Alegre. Conta a minha mãe que quando eu tive alta, meu pai foi nos buscar, chegando em casa ele deixou eu e a minha irmã em casa e saiu, até hoje ele nunca mais apareceu, ninguém sabe notícia dele. Assim minha mãe sozinha criou todos nós, ela não deu nem um de nós.
Daí vem a adolescência, a escola e novamente as dificuldades, só a mãe trabalhando, não era fácil, mas ela sempre ensinou para nós a coisa mais importante, que é a humildade.
Na fase adulta, as namoradas, as coisas que a vida nos dá, muitos momentos alegres, mas nem tudo era alegria, tive muita tristeza também, principalmente quando morreu o meu irmão, até hoje foi o momento mais difícil da minha vida, por que é nessas horas que a gente vê o quanto é importante a família.
Hoje tenho 26 anos, sou casado...

Lucas

A minha vida não tem coisas impressionantes.
A vida das pessoas é diferente, como eu posso explicar a minha história?
Eu nasci em 1991 na uma manhã de 27 de julho. Morei grande parte da minha vida no Bairro Pinheiro, lá aconteceram várias coisas boas e ruins. Tive vários amigos verdadeiros que até hoje tenho como meus amigos de infância. A minha infância foi boa, pois brincava sempre até altas horas, sendo que naquela época altas horas eram até 8 ou 9 horas da noite.
Agora me arrependo de não ter aproveitado mais aqueles momentos, em que tudo eram flores e brincadeiras. Agora aquelas coisas que me divertiam tanto não fazem mais sentido, por isso devemos aproveitar a inocência ao máximo. Eu nunca me machuquei seriamente e isso foi bom.
Nós nos mudamos para Guaporé, perto do hospital municipal, há uns oito anos. Aqui aconteceram várias coisas ruins. Quando eu tinha 10 anos, minha mãe e meu pai se separaram e eu já tinha uma noção porque os adultos se separavam, mas mesmo assim foi triste ver a minha família se separar. Minha mãe foi quem mais sentiu essa separação.
Nos primeiros meses, foi difícil, mas nessa separação teve uma coisa de bom, eu, as minhas irmãs e a minha mãe ficamos mais unidos, sempre viajamos, sendo que com nosso pai isso não acontecia com muita freqüência.
Depois de dois anos, a minha mãe encontrou meu padrasto, que é um mala-sem-alça e sem rotinha. No começo, eu odiava aquela situação de outro pai, mas a minha mãe ficou feliz com ele, então não importa se eu goste ou não dele, a minha mãe gostando estava bom para mim e para minhas irmãs. Os filhos devem dar mais espaço para os pais.
Durante essas mudanças na minha vida, eu me soltei. Reprovei na escola, nunca queria estudar, então me mudaram de escola com 11anos. Lá parecia que eu ia melhorar e conseqüentemente não reprovar mais, e foi o que aconteceu. Quem ler essa memória e já assistiu à série “Todo mundo odeia o Cris”, um menino mulato amigo de um menino branco que nunca se desgrudam, irá encontrar semelhança com a minha, pois eu encontrei só um amigo do peito, eu e ele nunca nos separávamos, estávamos sempre juntos, e ficamos da primeira até a quinta séries juntos.
Eu passei a sexta série tirando tinta da trave. Na sétima série, eu me soltei, fui atrás dos outros e me não me dei bem porque eu queria ser igual a eles, mas não dá para isso acontecer. Eu sou eu, o Lucas.
Agora estou aqui correndo atrás do prejuízo que eu mesmo fiz. Não direi ser este o fim, porque isso é só o começo da minha vida.

Leonardo

Minha vida começa no dia 30/12/92.
Tive uma infância muito feliz e também de muitos amigos, corria, brincava e fazia muitas travessuras. Acho eu que o maior susto que eu dei em minha mãe foi o dia em que eu cheguei em casa e estava com o cotovelo todo roxo, estava com o braço quebrado em três lugares.
Nesta época e até ano passado eu morava em Novo Hamburgo, nunca pensava que um dia eu fosse vir morar em Guaporé.
Quando meu pai me deu a notícia de que ele iria vender a casa e nós iríamos morar em Guaporé, eu fui totalmente contra, ainda me lembro muito bem o que eu falei, disse que nunca iria morar neste fim de mundo, considerava um lugar morto, tanto que disse que eles podiam ir que eu não ia. Mas como eu ainda era de menor e ainda não me governava, tive que vir com eles para Guaporé.
Quando cheguei aqui consegui fazer novos amigos, isto foi o que me deu uma animada. Então fiquei sabendo do curso de costura no Senai, fiz a ficha e passei, agora já faz seis meses que eu estou fazendo este curso, estou trabalhando meio turno neste ramo, e é neste ramo que eu pretendo continuar.

Jurandir

Eu nasci em 17/11/1982, o horário não sei, foi em uma cidade do interior do Paraná que se chamava Turvo.
Minha família era de tamanho médio, tinha dois irmãos e duas irmãs eu era o bebê. Quando eu tinha seis meses minha mãe faleceu, com a viúves meu pai se casou de novo e minha irmã terminou de me criar. Considero meu pai verdadeiro como avô, pois tive outra família e ele também.
Depois disso tive uma vida normal de criança.
Na adolescência saí de casa para morar numa cidade grande, Guarapuava no Paraná, fui em busca de trabalho e diversão.
Com 21 anos me casei construí casa e família, sem filho, mas de repente, sem mais nem menos, surgiu uma o portunidade de me mudar para Guaporé, no Rio Grande do Sul. Deixei casa, família e amigos, mas é um lugar que nunca mais vou esquecer.
Quando chequei aqui arrumei emprego na Sumaq, arrumei casa e passado um ano posso dizer que gosto de morar nesta cidade.
Depois que eu voltei estudar, aprendi muitas coisas por isso pretendo continuar estudando para terminar o ensino fundamental neste ano, para poder no ano que vem começar o ensino médio.

J.

Nasci em 1981, sou natural de Guaporé. Meus pais eram separados, então morei com minha mãe até os sete anos, depois fui morar com meu pai.
Estudei na escola Félix Hegel Filho até a 4ª série. Aos 11 para os 12 anos, parei de estudar para ajudar meu pai. Fui engraxate, vendia picolé e fui ajudar meu pai de servente de pedreiro para poder estudar de noite. Aos 13 anos, fiz a 5ª série, na Escola Frei Caneca.
Parei de estudar porque era muito cansativo, não agüentei estudar e trabalhar, pois tinha que trabalhar muito para ajudar meu pai. Dos 14 para 15 anos, fomos morar na cidade de Marau, onde passamos muitas dificuldades por não conhecer a cidade. Fiquei quase três anos morando lá, então voltamos para Guaporé.
Foi então que conheci minha esposa e começamos a namorar e nos casamos. Estou casado há nove anos, temos três filhos, Suelen com oito anos, Felipe e Gustavo com quatro anos, são gêmeos. Estou muito feliz com minha família. Voltei a estudar e pretendo terminar meus estudos e para o futuro só quero paz e alegria com minha família, porque já tenho tudo agradeço a Deus por me dar uma família muito linda e maravilhosa.

Fernanda

Meu nome é Fernanda, nasci em 1992. Fui morar com minha tia com apenas seis meses de vida, morei com ela até os quatro anos de idade, depois fui morar em outra cidade com minha irmã.
Comecei a estudar com sete anos na escola Jardim Constante, estudei até a quinta série, depois tive problemas em casa e parei de estudar. Três meses depois minha mãe ligou dizendo que estava com câncer, que poderia ser hereditário, mas um mês depois ela fez uma operação, se recuperou rapidamente e está muito bem.
Um ano depois fui morar em outra cidade, com quatorze anos conclui a sexta série. Com quinze anos conheci meu pai, por que minha mãe fugiu dele, pois ele era muito novo.
Hoje com dezesseis anos, comecei a trabalhar e estudar à noite, também faço cursos no sábado.

Daiane

Foi filha única até os sete anos, tinha tudo o que eu queria, era sempre muito comportada, até que ganhei uma irmãzinha. Eu não queria, confesso que queria matar, mas depois fui me acostumando.
Depois de um tempo meus pais se separaram, eu era muito apegada á ele, eu e minha irmã chegamos a ficar doente, mas tivemos que nos acostumar, assim eu fui crescendo e aprendendo.
Com 15 anos e pouco parei de estudar, queria trabalhar para ajudar minha mãe, adorava mexer com jóias, então fui aprendendo e me acostumando.
Depois veio o primeiro namorado, namoramos um ano e cinco meses daí não deu mais certo.
Algum tempo depois minha mãe teve outro filho, sabe de quem? Do meu pai, depois de um tempo separados eles voltaram a se ver e daí nasceu o meu irmão, nesse tempo eles estavam separados e ainda estão.
Tenho também outro irmão que meu pai teve antes de min.
Agora estou trabalhando e pensando decidi voltar a estudar. Penso em trabalhar e estudar para ter uma vida melhor, pois daqui uns anos eu não sei se os meus pais vão poder me dar.
Sempre me divertir e aproveitei todos os momentos da minha vida, solteira sem ninguém para quer me mandar, só os meus pais.
Bom! Não tenho muita coisa para contar para vocês, tenho apenas 17 anos e estou começando a viver agora, mas já aprontei muito e quero aprontar muito mais.

Airton

EU nasci em CAXIAS do sul em 1990. A minha mãe estava morando com o meu primo NEGO. Era de manhã cedo, meu primo estava saindo para trabalhar no frigorífico e quando ele abriu a porta lá estava eu numa cesta, só enrolado em um papel. Naquele dia estava caindo neve, eles me pegaram e me levaram dentro, me deram um banho e me cobriram com uma roupa de outra criança. Daí a minha nova mãe, que se chamava ERENITA, me pegou e me levou direto para o hospital, cheguei lá quase morto, ela ficou todo tempo lá. Então a ERENITA resolveu me cuidar, me adotou como seu filho de verdade.
O tempo passou e a ERENITA se apaixonou por um cara, resolveu ir morar na cidade de GUAPORÉ. Quando chegamos na rodoviária tinha um homem escorado esperando o ônibus chegar...
Na minha infância foi uma tristeza atrás da outra. Nós fomos morar com ele e no início nós éramos muito felizes, até o dia em que ele entrou no bar para comprar cigarro e o irmão dele deu um copo de cerveja para ele, que acabou gostando de tomar e pediu mais cervejas. Neste dia fui ver porque ele estava demorando tanto, encontrei ele estava bêbado de mais, então resolvi pega-lo no colo e levá-lo para a casa, lá eu e a mãe demos um banho de água fria nele e o levamos para a cama .
Da minha adolescência lembro que um dia estava em casa assistindo um jogo do GRÊMIO, quando acabou o jogo eu fui fazer o tapete que estava encomendado para a vizinha pegar, quando comecei a fazer vi que chegou uma guria linda, ela começou a me beijar no rosto, até que me virou o rosto e me deu um beijo...
Agora em 2008 a minha vida melhorou muito, porque a minha mãe voltou para o meu pai LAUDERI e agora a minha família está completa. Conheci uma menina que estuda no meu colégio, ela se chama IRACILDA, eu estou muito feliz em estar com ela e ela também...

S.

Meu nome é S., nasci em 29 de setembro de 1957.
A minha vida como a vida da maioria das pessoas que viviam no nosso bairro naquela época, era quase que de extrema miséria, não existia muitas opções de trabalho para nossos pais, então a gente passava muitas necessidades.
Lembro-me bem a partir de 1964, foi quando caiu uma grande nevasca em nossa região, ficou tudo coberto pela neve, em frente a minha casa tinha uma plantação de acácias, grande parte delas caiu com o peso da neve.
Na minha infância eu aproveitei bastante, jogava muito futebol, tinha muitos campinhos para a gente jogar, tinha as sanguinhas para nadar e pescar, naquela época se podia caçar passarinhos, era bom aqueles tempos, mesmo quando a gente ia brincar e ao voltar para casa não tinha nem um pedaço de pão para comer, deitava e rezava para no outro dia ter.
A minha mãe, agora com 84 anos, foi uma mulher que eu não tenho palavras para escrever ou falar o que ela seria, por tudo o que ela passou e suportou para nos criar. Podem até pensar que a frase é feita, mas quantas vezes ela deixou de comer para deixar para gente comer. De noite deitávamos na cama, o colchão era cheio de palhas desfiadas, era bem quentinho, então eu e era eu e minha irmã menor deitávamos e ficávamos ouvindo minha mãe contar aquelas anedotas de antigamente, dos tempos dela.
O meu pai era uma pessoa legal, guardo poucas lembranças, mas lembro com carinho dele, poucas eu digo por que ele sempre foi um pai ausente, só pensava na bebida e maltratava a minha mãe, o dinheiro que ele ganhava no trabalho dele, dificilmente se preocupava em ajudar em casa, talvez por esses motivos que meus irmãos não gostavam dele. Ele era um cara trabalhador, mas para nós, os filhos ele não era ruim, nunca nos bateu, apenas dava conselhos, morreu com 56 anos por causa da bebida. A partir daí minha mãe ficou mais descansada, acho que por tudo que ela passou, preferiu passar o resto da sua vida sozinha.
Comecei a estudar no colégio Cacilda Pereira, onde fiquei da primeira até a quarta série, depois fui para o colégio dos irmãos maristas, mas acabei voltando para o Cacilda Pereira, onde fiz a quinta série. Fiz o exame de admissão para a sexta série, passei e fui para o ginásio agrícola, mas eu já não queria mais estudar, eu já estava crescendo e começando a entender as coisas, sentia vergonha de não ter as condições que os meus amigos tinham, então comecei a faltar aulas, o diretor uma pessoa muito legal, chamou a minha mãe e eu para saber o motivo das faltas, então eu falei que não era por falta de vontade e sim vergonha, pois me faltava tudo, calçados roupas, material escolar... e minha mãe e eu sabíamos que ela não podia me dar, e com o meu pai não podíamos contar. Então o diretor me ofereceu o material de graça na secretaria, na hora eu aceitei, mas depois acabei desistindo mais por orgulho, na ocasião eu não pensei no prejuízo que isso ia me causar.
Então comecei a vadiar, fazia alguns biscates aqui e outros ali nas colônias, aos 16 anos minha mãe conseguiu uma licença para mim trabalhar fora de Guaporé, foi a minha primeira aventura, a cidade era Castro no estado do Paraná, dali fui para São José dos Campos, trabalhei em até em Congonhas do Campo em Minas Gerais, e assim fui seguindo: Florianópolis, Paraná - Laranjeiras do Sul, Guarapuava, depois em Porto Alegre.
Em Porto Alegre fiquei de 1980 a 1982, onde trabalhei em restaurantes, até que fiquei doente e tive que voltar a Guaporé. Voltei numa pior, onde eu trabalhava não assinavam a carteira e eu não guardava dinheiro só pensava em aproveitar a vida.
Em Guaporé nem tive tempo de me recuperar, trabalhei no curtume e depois em obras, foi nesse tempo que conheci a minha mulher. Com três meses de namoro ela engravidou e fomos morar juntos, mas poucos dias depois começou um problema que mudou o rumo da minha vida, uma aventura que eu tinha apareceu com uma criança e eu tive que registrar, isso me criou uma confusão muito grande, e também a minha sogra não me aceitava, chegou a me denunciar no juizado de menores, dizendo que eu era de tudo e que não prestava, mas provei ao contrário.
Depois que casamos resolvi procurar emprego fora, fui à Estância Velha, depois à Porto Alegre, onde consegui o emprego de zelador de um edifício, mas não podíamos ter filhos, então mentimos, pois o nosso já tinha nascido, deixamos ele com a madrinha e fomos, depois a gente ia resolver.
Em 15 dias consegui outro emprego então pudemos levar o bebê, mas daí a minha mulher engravidou de novo, quase fomos ao desespero porque um com seis meses e outro na barriga já era demais, nós não tínhamos nada. Lembro que para fazer comida nós colocávamos álcool em uma lata de azeite vazia e botava fogo, cozinhava o arroz e depois a carne, para dormir tinha em um tapete no chão...
Depois que minha mulher teve o segundo filho, com três meses foram para a creche e ela conseguiu emprego, então tudo começou a mudar, conseguimos comprar as coisas para dentro de casa e um terreno, que hoje moramos em cima.
Em1988 começamos a pensar em sair de Porto Alegre, as crianças estavam crescendo, tinha pouco espaço no apartamento e eu não queria criá-los ali, eles não tinham liberdade e também eu sabia que no interior eles seriam mais livres e teriam uma qualidade de vida melhor.
Então resolvi estudar, comecei a fazer um curso profissionalizante no Senai. Estudei para um concurso, 19 vagas para calculo técnico e desenho mecânica, na época era grátis, fiz as provas, tinha 300 candidatos e eu consegui uma vaga. Depois fiz outra prova para ajustador mecânico e matei a pau, então quando comecei o curso eu já trabalhava em dois empregos. Trabalhava das três da manhã até as oito horas num e das oito às seis da tarde em outro, tomava banho comia alguma coisa e pegava um ônibus até o centro depois o trem metropolitano até o Senai, chegava em casa quase meia noite, dormia mesmo só no fim de semana, mas conclui o curso, pequei o certificado e em agosto de 1989 nos mudamos para Farroupilha.
Eu já estava trabalhando há 20 dias, quando meu cunhado nos deu a notícia que minha sogra tinha se suicidado, viemos para Guaporé no velório, daí nossos cunhados pediram para que nós viéssemos morar junto com meu sogro, pois ele iria ficar sozinho, assim fizemos a mudança com a promessa de que ficaríamos morando na casa até construirmos a nossa, pois já tínhamos o terreno.
Consegui emprego na Sulmaq em 1990, dois anos após meu sogro morrer. Logo meus cunhados quebraram a promessa e nos pediram a casa, então falei com meu patrão pedindo para sair da empresa, pois precisava de dinheiro para construir, mas ele se ofereceu para me emprestar o dinheiro e eu aceitei, pois já tinha uma quantia comigo. Comecei a obra, paguei somente para levantar e cobrir a casa, o resto eu e minha esposa fizemos tudo, desde o reboco até a parte de madeira, até que finalmente mudamos para nossa casa.
Em 1997 nasceu o Felipe. Aconteceu uma coisa muito interessante, sonhei que um filhote de leão queria entrar em casa e eu fechei todas as portas, mas deixei uma janela aberta e ele entrou. Quando minha esposa falou que estava grávida lembrei do sonho e fiz as contas do mês em que ele iria nascer, deu em agosto, então conclui que seria um menino com o signo de leão. Fizemos uma eleição para a escolha do nome e deu Felipe, nem escolhemos nome para menina, pois tínhamos certeza que seria um menino.
Nesse mesmo ano meu filho mais velho foi para o seminário, eu perdi o emprego e fui trabalhar em Bento Gonçalves, onde fiquei 2 anos e meio e voltei para a Sulmaq, onde estou até hoje.
O filho que foi para o seminário já esta formado em filosofia, morou em Medellín na Colômbia, Salamanca na Espanha e em Roma, atualmente está em São Paulo e em agosto volta a Roma para estudar teologia. Já o Everton trabalha em Bento Gonçalves e estuda engenharia mecânica. O Felipe tem 10 anos e estuda no Jairo Brum, é um menino muito inteligente.
Eu tenho muito orgulho dos meus filhos, às vezes acho que nem mereço a família que tenho, devo muito à eles e a minha esposa, faço e farei tudo que puder fazer por eles.
Eu espero que eles continuem sendo pessoas honestas e com um bom caráter como sempre tiveram, pois eu e minha esposa, mesmo com tudo que passamos, nunca precisamos ser desonestos para alcançar nossos objetivos e nunca precisamos bater neles para educa-los.
Eu hoje estou com 50 anos e 25 anos de casados e se precisasse começaria tudo outra vez.

domingo, 19 de outubro de 2008

Pedrinho

Nasci em 1981, morava em Foutora Xavier na colônia. Minha mãe teve oito filhos, mas o primeiro filho faleceu com um ano de vida, assim ficamos em sete irmãos.
Quando tinha 12 anos, meu pai foi em um bar e sem motivo o mataram. Acho que foram os piores anos de minha vida, mas acredito que a minha mãe foi a que mais sofreu. Tive que parar de estudar para trabalhar, pois minha mãe sozinha não tinha condições de nos sustentar...

Mirtes

No dia 16.07.61 nascia uma criança chamada Mirtes.
Minha mãe e meu pai eram agricultores, iam para a roça enquanto eu ficava em casa com os meus irmão, eu era uma criança chorona e agitada. Minha mãe contava que durante a minha gestação chorou os nove meses, pois o meu avô bebia muito vinho, era muito bravo, quando meus irmão iam buscar pão no armário para comer, ele não deixava, botava as crianças para correr à bengaladas, assim minha mãe ficava triste e chorava muito, por isso até hoje sou chorona, tomo até remédio para a depressão.
Na minha infância...

Renato

Nasci em1960. Sou o terceiro filho de meu pai e minha mãe. Fui uma criança muito feliz.
O tempo passou... 1964, ano da nevasca em Guaporé, muita neve, lembro como se fosse hoje, galhos de árvores caiam no chão devido ao peso da neve, os fios de luz dos postes ficavam grossos de neve e também caiam. Os telhados das casas cheios de neve ficavam com muito peso, lembro que meu Pai amarrou uma taquara em uma enxada para tirar a neve do telhado que estava com muito peso e poderia cair.
Em 1965 nasceu minha mana ANA.
Em 1968 meu Pai veio a falecer, foi no dia 25 de abril, minha Mãe estava grávida do seu quinto filho, então em outubro nasceu minha mana TINA, foi o último filho da minha Mãe.
A vida transcorreu de uma maneira muito difícil para todos nós. Então eu e os meus dois irmãos (NEREU e CELSO) começamos a trabalhar para ajudar no sustento da casa, assim largamos os estudos, talvez por isso estou de volta a escola hoje.
Em 1970 terminei o que meu Pai havia começado, o meu carrinho de lomba. Lembro que um dia subi o morro do Galon e me larguei lá do alto, quase me matei, cheguei em casa todo esfolado do tombo e ainda levei uma sura da minha mãe.
1973 foi o último ano que fui para a escola.
1978, ano que não queria que chegasse, fui servir a Pátria, fiquei no terceiro batalhão logístico, na cidade de BAGE-RS. No dia 23/12/79 depois de muito trabalho, tristezas e alegrias dei baixa ao serviço Militar, foi um dia muito esperado por minha Mãe. No mesmo dia fui a capital do estado Porto Alegre para ver a final do campeonato Brasileiro, vi meu time ser campeão INVICTO, o INTERNACIONAL fez UM FEITO HISTÓRICO que NINGUÉM NUNCA CONSEGUIU E TALVES NINGUÉM MAIS CONSEGUIRÁ.
1983 foi o ano em que conheci a dona da pensão, aquela que está sempre do meu lado para tudo, é a minha esposa.
Em 1986 nasceu minha filha LARISSA.
No dia 19/08/2007 nasceu minha neta ANA JULIA, que VEIO PARA DAR MUITA ALEGRIA PARA TODOS NÓS. Espero que DEUS de mais sorte a minha NETA e guie seus passos, faremos tudo para o bem da ANA JULIA.
Esta história não acaba aqui, os próximos capítulos ainda estão por vir e todos nós esperamos sejam melhores, bem melhores, mas esta história só o futuro poderá escrever o capítulo final. Que DEUS ILUMINE A TODOS.
Meu nome RENATO SPAGNOLO...

Rafael

Nasci em 1987 e me chamo Rafael.
Sempre fui um carinha legal, quando criança era uma criança normal, ás vezes fazia uma arte que outra como qualquer criança, chorava muito quando minha mãe saia e me deixava com alguma tia, daí sim eu incomodava bastante, ficava doente facilmente, estava sempre com bronquite ou uma gripe.
Então fui crescendo e ficando menos chorão. Quando adolescente comecei a andar de skate, tinha um amigo que andava muito bem, daí comecei a passar as tardes na praça andando com meus amigos, dia e noite, era tri massa. Nós faziamos rampas e vários obstáculos para nós andarmos, depois a gente deixava tudo escondido nos cantos da praça, daí os funcionários da prefeitura destruíam tudo.
Fomos na prefeitura várias vezes pedir para ser feita uma pista, mas nunca saiu nada. Falamos até com um candidato a vereador dessas últimas eleições, entregamos um projeto para ele, fizemos um negócio mais formal, mas não adiantou, ainda não saiu nada. Disseram que até o final do ano vai estar pronta, pois está nos projetos da prefeitura, mas vai saber se é verdade.
Os anos passaram e me alistei para o exército brasileiro, fizemos a inspeção, ficamos pelado num baita frio e alguns meses depois fomos todos dispensados, eu queria muito servir o quartel então fui ver se não tinha como eu ir, daí falaram que eu poderia servir, só se eu pegasse um ônibus e fosse até lá, mas isso era muita coisa para eu fazer sozinho, teria que ir para São Gabriel à mais de 600 km daqui, umas 7 horas de viagem, então se foi o meu sonho.
Três meses após o dia dá dispensa que tinha acontecido em janeiro, recebi uma carta na minha casa, era um chamado urgente para se apresentar de novo na junta militar, então lá fomos nós de novo para mais uma inspeção, alguns dias depois embarcamos e fomos em 38 jovens, voltou mais que a metade, mas eu fiquei e comigo ficaram mais 11. Depois de algum tempo dois foram embora, um foi expulso e o outro tinha filho, ficamos em 9 representando Guaporé na fronteira com o Uruguai, no sexto batalhão de engenharia e combate de São Gabriel, eu era um dos poucos voluntários á servir. Logo na primeira semana de internato me arrependi, mas fui me acostumando, foram 19 dias confinado com superiores gritando dia e noite no meu ouvido, mas valeu muito a pena, foi bastante produtivo, nós corríamos todos os dias em média de 6 á 7 km, correndo e cantando, o que era bom demais pois dava muita vibração. Com certeza foi a melhor experiência do mundo, só quem foi sabe o que é e quem não foi não vai pode falar. Esse fato foi a coisa que mais marcou a minha vida.
Para o futuro espero ainda um dia voltar para a melhor instituição do Brasil, vou tentar o concurso para Escola De Sargentos Das Armas. Que sonho!

MÁRCIO

NASCI EM 1983, NA CIDADE DE ARVOREZINHA.
QUANDO TINHA MAIS OU MENOS UM ANO DE IDADE, VIM MORAR EM GUAPORÉ, ME LEMBRO QUE EXISTIA MUITA MATA, LUGARES BONS, PESSOAS DIFERENTES, COM MAIS AMOR PELA VIDA, QUERENDO LUTAR POR UM OBEJETIVO.
EM 1990 COMECEI A IR PARA ESCOLA NO JAIRO BRUM. ESTUDEI ATÉ A QUARTA SÉRIE, DEPOIS FUI PARA OUTRO LUGAR, O CIEP, ONDE ESTUDEI UM ANO, ENTÃO DESISTI DE ESTUDAR. PASSEI A FICAR EM CASA ENCOMODANDO MINHA MÃE, EU ERA UM PESTE, VIVIA ENCOMODANDO.
QUANDO TINHA 16 ANOS, JÁ ESTAVA TRABALHANDO, ENTÃO COMPREI UM CAVALO, POIS LIDAR COM ANIMAIS PARA MIM É UM GRANDE PRAZER. PASSEI MUITO TEMPO COM ELE, UNS 3 ANOS MAIS OU MENOS, DEPOIS VENDI PARA COMPRAR UM CARRO, COMPREI UM SCORT, QUE ACABEI BATENDO NUM BARRANCO, MAS GRAÇAS A DEUS, NINGUÉM SE MACHUCOU.
MUDEI DE EMPRESA PARA TENTAR SUBIR DE CARGO, QUASE CONSEGUI, SE EU TIVESE ESTUDADO ANTES TINHA CONSEGUIDO, MAS TUDO BEM, A VIDA NÃO PAROU, CONTINUAMOS A LUTA, SEMPRE TIVEMOS BOA SAÚDE, DEPOIS TRASSEI UMA META, FAZER UMA CASA NOVA E CONSEGUI .
MUITAS COISAS BOAS ACONTERAM EM MINHA VIDA, COMO O NASCIMENTO DO MEU FILHO, ENTRE OUTRAS.
HOJE VIVO BEM, COM BASTANTE SAÚDE, MUITA ALEGRIA E CONHECIMENTO.

Luciana

Nasci em 01.09.1975. Vivi até os 24 anos em uma cidade do interior. Minha família é grande, somos em 10 irmãos, eu e minha irmã mais nova tivemos uma infância boa, nos criamos com as vizinhas do lado, éramos muito amigas. Estudamos até a quarta série, aliás minha irmã estudou até a quarta, eu estudei até a sexta série, depois tivemos que parar de estudar para ajudar nosso pai, porque nossa mãe adoeceu e ele não dava conta de tudo.
Eu e minha irmã trabalhávamos juntas na Sebem Jóias, trabalhamos nove anos, daí eu sai por motivos de saúde, trabalhei também no hospital da cidade, gostei da experiência.
Cometi erros na juventude, como todos os jovens cometem, mas aprendi que os pais nunca dão conselhos para o nosso mal, sempre para o bem.
Trabalhei 2 anos em Porto Alegre, foi aí que conheci o pai do meu filho, vivemos 4 anos juntos, engravidei , nos separamos como é comum hoje em dia, meu filho hoje tem 5 anos de idade e é a pessoa mais importante da minha vida. Trabalho e luto todos os dias por um futuro melhor para meu filho.
Adoro todos da minha família, perdi meu pai a pouco tempo dia 09.04.2008 foi o dia mais triste as minha vida.
Minha expectativa para o futuro é conseguir a minha casa própria e quem sabe até meu carro, sonhar não é pecado e enquanto sonharmos sempre haverá esperança de um futuro bem melhor.

Eloir

Sempre tive uma vida sofrida, fui mãe solteira com dezessete anos. Hoje tenho quatro filhos, três meninas e um menino.
Meus filhos: Patrícia de 20 anos, Jonathan 18 anos, Bruna 15 anos e Caroline 12 anos. Também tenho um neto de três anos, o Robinson Augusto, fui avó com 35 anos. Me considero uma mãe zona, eles são a razão do meu viver.
Vivi sempre feliz porque criei meus filhos sozinha, sem os pais presente, não são do mesmo pai.
Sou funcionária pública, trabalho em uma creche, sou servente com muito orgulho, adoro o que faço.
Sou casada, dia 18 de agosto vai fazer um ano. Sou uma mulher realizada, até que em fim consegui me casar, coisa que sempre sonhei.
Moro perto da minha família, de todos meus irmãos e também dos meus filhos, tenho bastante amigos e sou muito feliz .
Agora estou estudando, depois de 17 anos e estou muito contente, as professoras são legais e entendem as dificuldades que temos para aprender, espero dessa vez terminar.
Contei um pouco da minha história.

Alexandre

Nasci e no interior de Arvorezinha, junto com os meus pais e meus cinco irmãos. Estudei até a 6° série na escola da minha comunidade.
Trabalhar roça era muito bom, ia todos os dia tomar banho no rio e não precisava trabalhar tanto.
Aos 12 anos perdemos tudo, queimou a nossa casa, fomos morar em uma escola até começar tudo de novo.
Quando tinha 16 anos tive que abandonar os estudos, pois meu pai sofreu um acidente, tive que ficar com ele cinco meses no hospital, assim não tive mais oportunidade de voltar a estudar.Trabalhei até meus 22 anos com meus pais, então vim morar para Guaporé com minha mulher. Hoje trabalho ma Sulmaq e voltei a estudar para ter um futuro melhor.

E.

A minha vida foi mais de momentos ruis do que bons.
Nasci em 1975, fui adotada por Antônio e Maria, nunca soube que era adotada, até aos sete anos.
Entrei na escola em 1982. Na escola sofri muitos preconceitos, meus colegas não gostavam de mim, me chamavam de negrinha, pois eu era a única menina morena. Em um certo dia um deles me disse que eu era adotada, me falou com ironia, com deboche, eu comecei a chorar. Chegando em casa, perguntei pra minha mãe se era verdade que eu era adotada, ela disse que sim. Fiquei muito decepcionada, muito triste, pois eu não conseguia acreditar, mas com o tempo fui me acostumando.
Outra decepção e humilhação que passei na escola, eu acho que tinha uns oito pra nove anos, foi quando briguei na escola e minha foi chamada. Ao chegar lá, ela falou com a professora e a profe contou a ela que eu tinha brigado, então ela veio em minha direção dentro da sala de aula, na frente da profe e dos colegas, me pegou pelos cabelos e me bateu muito, me senti muito humilhada com aquilo, mas mesmo assim eu amava minha mãe e meu pai.
Aos nove anos, meus pais se separam. Isso tudo aconteceu no dia 24 de dezembro, minha mãe foi embora e deixou eu e meu irmão com meu pai, fiquei chorando, pois queria ir com ela, mas meu pai não deixou. Ele pegou a mim e meu irmão e levou na casa dos meus avós paternos. No outro dia, era dia 25 de dezembro, era natal. Ao acordar de manhã, meu avô veio me dar três biscoitinhos, esse era o meu presente de natal, mas naquele momento não estava preocupada com presente, só queria a minha mãe e chorei muito, pois eu não gostava de ficar lá no meu avô porque ele bebia muito, ao meio dia meu avô já estava bêbado e não tinha nada para fazer de almoço, minha avó fazia um feijão mexido e café. Esse foi meu natal inesquecível e a
minha história de criança.
Aos 13 anos, conheci um garoto que me apaixonei, mas logo vi que não valia à pena, pois ele tinha muitos vícios, mesmo gostando muito dele não o quis.
Aos 15 anos, conheci o meu marido e logo engravidei. Com 16 anos minha filha Aline nasceu, logo em seguida engravidei de novo e aos 17 anos nasceu o Marcos.
Então fomos embora para Porto Alegre, lá passamos muitas dificuldades financeiras e de saúde. Meus filhos ficaram doentes e eu também, fiquei quase 30 dias hospitalizada e meus eles fiaram em casa. Fiz uma cirurgia no pulmão, quase morri, os médicos mandaram chamar meus pais e meu marido e disseram à eles que eu estaria com câncer, mas graças a Deus não era.
Criei meus filhos com muita dificuldade, até fome nós passamos, mas graças a Deus consegui criá-los, consegui comprar a minha casa própria e adquirir um carro também. Hoje moro em Guaporé novamente, tenho uma família abençoada e muito feliz. Esses foram alguns dos obstáculos que já passei na minha vida.

Ricardo

Bom! Meu nome é Ricardo, nasci no hospital de Guaporé, no dia 16/02/77. Naquela época meus pais moravam em um porão. Meu pai trabalhava de servente de pedreiro no cemitério com meu avô, depois foram tentar a vida em Porto Alegre.
Lá eu cresci com muita dificuldade, mas cresci. Minha falecida mãe contava que deixava de comer para que eu comesse, eles passavam a pão e água, mas trabalhavam, até que tempos depois meu pai perdeu o trabalho, foi quando estava para nascer minha irmã Rosângela.
Meu pai sempre preocupado com nós e com nossa saúde, até de faxineiro ele trabalhou.
Minha mãe também contava que apesar dos nossos apertos e dificuldades, tínhamos momentos bons como: Ir ao cinema (Cine Castelo), ir a praça da Redenção e no Mercadão.
Quando nasceu meu irmão viemos morar para Guaporé, fomos morar nos fundos da casa da minha avó paterna, ela era italiana pura até de nome se chamava Maria Falcone.
Aqui em Guaporé a vida mudou um pouco, a mãe trabalhava e o pai também, enquanto eu estudava e cuidava dos meus irmãos, até que minha mãe engravidou novamente e então veio o meu outro irmão.
Naquela época meu pai ficou sabendo que iriam construir o bairro Pró-morar pela COAB, então ele conversou aqui e ali com algumas pessoas até que, com muita luta, conseguiu uma casinha. Nesta época ele trabalhava em Palmeira das Missões em um Seminário de pedreiro e a minha mãe de faxineira, assim fomos nos levantando, mas como estava difícil eu decidi abandonar os estudos para ajudar na renda da família.
Eu tinha 11 anos e trabalhava de jardineiro nas casas que a mãe fazia faxina assim nossa renda era maior e meus irmãos tinham uma vida melhor. Trabalhei de jardineiro até os 13 anos, logo depois trabalhei numa fabriqueta chamada Falzim, onde machuquei meu polegar esquerdo. Depois de um ano e meio comecei a trabalhar na Sulberguer, o famoso Cortume, trabalhei cinco anos e sete meses, então em 1995 a Sulberguer abriu falência e eu fui trabalhar na Paquetá, lá fiquei por dois anos e seis meses. Em seguida fui para Santa Rosa trabalhar na Protege fazendo trilho de trem, ganhava pouco e trabalhava muito, decidi voltar para a Paquetá. Nesse tempo o salário era uma mixaria, mas dava para sobreviver.
Mas vieram mais dificuldades, minha mãe com problemas de saúde, meu pai se separando, meus irmãos assustados e mais o golpe final. Nesse meio tempo eu já estava morando com minha atual esposa e tinha uma filha para cuidar e uma família, mas olhava para a outra família e via minha mãe, ela estava morrendo. Fiz tudo que pude, corri com ela para Porto Alegre pra tentar salva-la, mas ela também não se ajudava, estava muito desiludida. Meus irmãos só choravam, consegui que ela melhorasse um pouco, mas ela veio a falecer com 43 anos no dia 8 de agosto de 2005.
Hoje eu passo para os meus filhos tudo o que ela me ensinou, como driblar as dificuldades, aproveitar as coisas boas da vida, até mesmo as ervas medicinas que ela ensinava, aproveitar tudo o que a natureza dava e ser feliz.
Do meu pai a única coisa que eu aprendi é que a gente pode ser alguém, mas com trabalho e dignidade e sendo honesto. Meu avô materno dizia que só com trabalho a gente enriquece a alma, só com trabalho a gente entra no reino de Deus. Hoje eu sei que isso é verdade. Obrigado Vô, Vó e minha Mãe pela minha educação e pela minha Vida.

N.

Data do meu nascimento 1965. Nasci na cidade de Três Passos, filho de Arlindo Costa e Hilda Costa. Meus pais eram de uma família muito pobre, era tudo muito difícil, assim não pude estudar, porque não tínhamos condições de comprar nem o material.
Em 1975 faleceu meu pai e complicou mais ainda A mãe não tinha um ganho para nós sobre viver. Tive que começar a trabalhar para comprar comida, lavava carros cortava grama e outros bicos.
Como era um guri muito trabalhador e pelo conhecimento e amizade antes mesmo dos 14 anos, recebi uma proposta de emprego na transportadora Luft.
Trabalhei por dia até completar os 14 anos, quando completei a idade em que podia ser assinada a carteira. Então meu patrão me levou para fazer os documentos e assinou minha carteira, já que agora a lei permitia. A partir daí melhorou um pouco por que tinha meu salário garantido. Isso ocorreu em 1980 e 1981.
Tempos depois, a mãe resolveu vir morar em GAPORÉ e eu fiquei morando em TRÊS PASS0S; sozinho; eu tinha que me virar com tudo. Nesse período começaram os namoros, conheci uma guria e começamos a namorar. O tempo foi passando e nós resolvemos ir morar juntos, começamos a batalhar para conseguir comprar algumas coisas, mas não estava fácil. Logo em seguida, minha esposa ficou grávida e nasceu a primeira filha, a Débora. Passaram-se dois anos e nasceu mais um filho, o TIAGO, ele nasceu muito doente, passamos muita dificuldade, mas graças a DEUS conseguimos vencer.
Quatro anos se passaram e nasceu a RAQUEL.A família estava aumentando e não havia parado por aí, passado mais três anos nasceu mais uma filha, a JAQUELINE.
Assim formou-se a grande família Costa. Nós todos moramos em GUAPORÉ há 19 anos. Como não tive condições de estudar no passado, voltei aos estudos no ano 2008 e espero concluir.
ESTA É A MINHA HISTÓRIA.

N.

Nasci no dia seis de outubro de 1964. Até aos sete anos de idade eu brincava, depois dos sete anos eu ajudava meus pais e meus irmãos na agricultura, nós éramos pobres.
Depois de um tempo meus pais conseguiram comprar um pedaço de terra, seis quilômetros longe de onde morávamos, não tínhamos carro para ir trabalhar. Eu levantava quatro horas da manhã, tirava leite e tratava os porcos, depois a gente saia caminhando, fazia seis quilômetros com uma sexta de comida para o almoço. De meio dia e de noite a gente voltava, chegava em casa nove horas da noite e fazia o serviço, no outro dia era a mesma coisa, na escola eu ia quando dava.
Com vinte seis anos eu casei, fomos morar sozinhos, aí veio mais dificuldades. Com vinte sete anos eu e minha esposa tivemos um filho, não foi fácil, mas graças a Deus hoje ele está grande e com saúde.
Depois de seis anos na agricultura resolvemos nos mudar para a cidade de Guaporé, chegamos em 1996. O começo também não foi fácil, pagamos três anos e meio aluguel, mas com muito esforço conseguimos um financiamento e conseguimos construir a nossa casa, que hoje já terminamos de pagar...

M.

Nasci no ano de 1969, dia 27 fevereiro na cidade de ANTA GORDA.
Com um ano e cinco meses fui morar em SANTA CATARINA, na cidade de GUARACABA. Meus pais, minhas duas irmãs e eu sofremos muito com todas mudanças de lugar que fizemos.
Com onze anos passei a primeira comunhão e aos quinze me crismei. Fui criada com muito amor.
No dia primeiro do ano, num baile encontrei o VALMOR, namoramos um ano e casamos, daí viemos trabalhar em GUAPORÉ.
Começamos a trabalhar na Frangosul, onde trabalhei por nove anos.
Depois de dois anos casada engravidei, mas acabei perdendo, foi muito triste...

M.

Eu nasci 1964. O meu primeiro documento foi a minha certidão de nascimento.
A minha vida até aos seis anos era boa, eu sou a primeira filha, a mais velha, e daí o que acontecia? Eu era a responsável por tudo que os meus irmãos faziam de errado.
Aos 13 anos comecei a trabalhar para ajudar meus pais e meus irmãos.
Hoje, somos cinco filhos vivos e dois mortos.
O meu passado não foi bom, porque o meu pai trabalhava na construtora Braseu, daí nós tínhamos uma vida de andarilho, ficávamos alguns meses em cada lugar.
Em 1983 nós voltamos para Guaporé onde estamos até agora e acho que para sempre.
Nossa vida é um pouco melhor, já temos onde morar e o que comer, por isso nós temos muito o que agradecer adeus por essa boa vida que ele nos deu. Agradeço principalmente por ter tido a graça de ser mãe.
Foi em 1995, uma gravidez difícil porque era de risco, mas Deus me iluminou, deu tudo certo e hoje tenho um filho que já está com 13 anos, ele é a minha alegria de viver, sem ele eu não sou ninguém. Mesmo eu sendo separada há cinco anos, o principal é o meu filho e os meus país, eu moro com eles.
Todos os dias antes de me levantar, não me esqueço de agradecer a Deus por ter me abençoado eu e minha família mais um dia, por ter me dado saúde para trabalhar e para sustentar meu filho.
Agora agradeço a meu Deus por um motivo muito mais especial, eu ter voltado a estudar, é mais um motivo para eu ser feliz.
Hoje só peço para Deus que ajude os meus professores, de há eles bastante saúde e principalmente, bastante paciência para nos ensinar.

Luis Roberto

Eu nasci no dia 14 de outubro de 1964 ai começou a minha vida onde eu abri os meus olhos para ver o mundo logo depois eu comecei a caminhar e brincar com os meus amigos. Em 1979 quando eu cresci tinha 14 anos eu comecei a trabalhar e tinha que largar os meus estudos. O meu pai bebia bastante, cada vez que ele bebia, ele caia e nós tínhamos que ir buscá-lo.
Em 1982, eu comecei a trabalhar e recebia o meu salário, mas quando chegava o segundo dia do mês, eu já não tinha mais dinheiro para ajudar comprar as coisas para nós comermos. Eu tinha 19 anos quando comecei a beber muito, todos os fins de semana eu estava sempre bêbado. Nós éramos uma família muita sofrida e muita judiada pelos outros. Eu fiquei um ano no quartel e depois retornei para casa com minha família. Depois que eu vim morar em Guaporé ai começou tudo de novo.
Os anos passaram, eu ia para os bailes e voltava para casa sempre bêbado. Depois fui criando juízo, namorei bastante, namorei um ano e depois fiquei noivo, fizemos a nossa festa de noivado e eu bebi de novo, fiz um porre de passar mal, ai estragou o meu noivado, a minha noiva chorou muito. Nós noivamos e depois de um tempo nos casamos e depois fomos muito felizes, só que eu não tinha onde cair morto só tinha a mulher e a casa alugada entre dez pessoas: em 1991 depois de algum tempo eu e a minha esposa tivemos um lindo bebe que se chamou Diego, nasceu em maio e morreu em agosto, isso foi muito triste para mim, é a mesma coisa de arrancar um pedaço do meu corpo.
O dia mais feliz da minha vida foi quando meu filho nasceu. O dia mais triste da minha vida foi quando perdemos o nosso filho, para mim e para minha esposa era tudo o que nós tínhamos na vida, o nosso filho e Deus, já faz 20 anos que nós somos casados e nós passamos muitas dificuldades em nossas vidas.
Hoje eu posso dizer que eu tenho o meu filho no meu coração e a minha esposa e o meu Deus no meu lado.
Aconteceram muitas coisas na minha vida. Perdi o meu pai, que eu gostava muito dele e perdi o meu irmão também, ai então a minha vida começou a não ser a mesma depois que perdi o meu pai e meu irmão.
Hoje eu posso dizer, com minhas palavras, que eu sou uma pessoa feliz ao lado de quem me ama.
Eu devo tudo graças a ela, a Deus, à minha família e a família dela. Eu estou finalizando o que eu me lembro das coisas da vida.
Eu sempre tive um sonho de levar o meu filho no colégio e esperar ele voltar, mas não consegui realizar o meu sonho, não tem importância, pois Deus está cuidando dele lá no céu.
Por isso, hoje eu faço isso: vou e volto do colégio e posso afirmar que ele esta sempre acompanhando os meus passos por onde eu for.
Agradeço a Deus e a minha esposa por tudo isso que eu fiz.

Julinho

Meu nascimento foi em 1970, comecei a estudar aos sete anos, completei a 4º série numa escola do interior do município de Guaporé.
Aos 12 anos, eu tive interesse de trabalhar na agricultura, aos 15 anos comecei a ir em festas e jogar futebol com os amigos e comecei a sair com as garotas. Aos 18 anos tive um acidente no olho esquerdo envolvendo uma infecção nos dois olhos, fiquei mais de um ano de tratamento. Eu tinha a minha namorada e a minha família que me ajudavam, pois o médico falou que eu tinha muita pouca chance de voltar a enxergar normalmente, mas tive muita fé e consegui ter minha visão de volta.
Aos 20 anos tive interesse de namorar, pois a namorada nova que eu conquistei era muito linda e me proporcionou um amor enorme, então nos casamos.
Conseguimos com muito amor ter dois filhos, um casal. Atualmente gosto de minha profissão, trabalho ali há quatorze anos e pretendo continuar até que Deus quiser.
No momento estou estudando na escola Jairo Brum e estou muito feliz, pois temos professores muito queridos e atenciosos.

I.

Em 1970 eu nasci, o tempo foi passando e fui crescendo. Em 1977 comecei a freqüentar a escola Henrique dias na Linha Três de Maio, no interior. Fiz até a 5º série e rodei, então parei de estudar.
Fiquei morando no interior até os 19 anos, sempre trabalhando na roça, passei muitas dificuldades. Lembro que um dia estávamos na roça e veio um temporal, ficamos embaixo dos guarda-chuva, mas era chuva de pedra, ela batia nos nossos dedos dos pés, doía muito, este foi um momento muito triste.
Em 1989 comecei a trabalhar na MM, mas continuei morando no interior, com uma Combi vinha trabalhar de manhã e voltava a noite, isso por 2 anos. Depois em 1991 fui trabalhar na sulca, foram quatro anos na mesma condição de combi, saía de manhã e voltava à noite.
Nesse tempo conheci meu primeiro namorado, namoramos por cinco anos e dai ele foi embora da minha vida sem explicação e nunca mais voltou, foi uma grande decepção.
Em 1995 Fui morar na casa da dona Olga para cuidá-la, nessa condição fiquei por um mês, depois fiquei morando na mesma casa por seis meses, mas comecei a trabalhar de faxineira na casa do Dr. Fedrigo de manhã e a tarde na casa de seu Vagner Cassarotto, assim fiquei por três anos.
Depois dos seis meses saí daquela casa e fui pagar aluguel em um local de dois cômodos. Por um tempo fiquei sozinha depois veio uma prima morar comigo, dividia o aluguel com ela.
Nesse tempo tinha um amigo que me cativava, daí o tempo foi passando... Em 1997 um olhar e em uma dança, surpreendeu-me com um beijo e dali em diante começamos a namorar. Namoramos por um ano, nesse tempo começamos a construir nossa casa com muito dificuldade, com meu pai me ajudando muito fizemos o primeiro piso, só com a laje em cima, aí fomos morar juntos eu, meu marido e a minha prima. Depois de seis meses ela casou e ficamos nós dois. Algum tempo depois veio minha mãe morar conosco, ela me ajudava muito, com o calor da laje no verão nós quase se torrava, mais tarde a mãe foi de volta para o interior com o pai, ficamos nós dois novamente.
O tempo foi passando e tive um convite para ser costureira. Em1998 comecei a trabalhar na Tanasul, fiquei ali por dois anos, mas me deram as contas, fiquei muito triste, pois tinha contas a pagar. Mas fui em busca de outro emprego e logo encontrei, ai em 2000 comecei a trabalhar na Milam onde permaneço até hoje.
Em 2005 pude dar continuidade ao segundo piso da casa, ai meu pai entrou em depressão, tive que apressar para terminar a casa, daí o pai e a mãe vieram morar no primeiro piso e nós no segundo piso, assim permanecemos até hoje e o pai melhorou, graças a Deus.
Mais tarde comecei a estudar no Sesi, fiz o supletivo passei em ciências e desisti de estudar. O tempo passou e depois de nove anos morando juntos realizamos um sonho, em 2006 casamos, um sonho realizado. Depois de 2 meses tive que fazer uma cirurgia de vesícula, mas graças a Deus correu tudo bem.
Em 2008 pude voltar a estudar no EJA, muito gratificante, voltei a encontrar colegas que tinha conhecido na época que trabalhei na Sulca, muito bom. Em 2009 sonho em poder passar no EJA e ter um filho, se Deus me conceder essa graça.

I.

Nasci em 1978. Com três anos de idade meu pai saiu de casa, então fiquei morando com minha mãe.
Comecei a estudar com sete anos de idade, estudei da 1° até a 4º série, então larguei meus estudos para trabalhar. Meu primeiro emprego foi em uma fábrica de calçados na cidade onde nasci, Dois Lajeados. Mudei de cidade para trabalhar de doméstica, fui para Porto Alegre. Depois voltei para minha cidade natal, até que eu e minha família viemos para Guaporé, então voltei a exercer a minha antiga profissão de calçadista, assim fiquei até o ano de 2004. A partir dessa data, com muita luta e muito esforço consegui outra profissão, a qual exerço até hoje, sou auxiliar de costura e tenho um salário mais alto do que quando cheguei na cidade de Guaporé.
Quando eu e minha família viemos para Guaporé não tínhamos nada, nem terreno e nem casa, morávamos de aluguel. Mas em seis meses compramos um terreno e construímos nossa casa própria, na qual hoje sou muito feliz.
Sempre tive uma família unida, dês de a minha infância hoje ainda moro com minha mãe, tenho dois irmãos e duas irmãs, uma delas é casada e tem três filhos e tem sua própria casa, minha outra irmã tem um filho de quatro anos e também tem sua própria casa. Já eu não sou casada, não tenho filhos, mas também tenho a minha casa própria.
Acredito que a força de quem trabalha consegue muitas coisas, basta ir a luta. Eu gosto muito de agradecer a Deus por tudo o que ele me deu, mas principalmente pelo emprego que tenho e por que tenho bons colegas de trabalho. Peço sempre que minha família não se separe jamais.

I.

Nasci em 1965. Éramos uma família humilde sempre que enfrentavam muitas dificuldades, consegui estudar só até a 4º série e com bastante sacrifício, sempre ajudando meus pais a trabalhar para pagar o aluguel, comprar comida...
Aos 17 anos resolvi me casar achando que ia ser o melhor a fazer, mas também não foi fácil, nós trabalhávamos e pagávamos aluguel, mal dava para viver.
Com18 anos tive a minha primeira filha Débora, com 20 anos tive o segundo filho Tiago, passei muita dificuldade pois ele era muito doente, tinha meningite.
Tempos depois engravidei novamente, como as coisas estavam muito difíceis na cidade de Três Passos onde nós morávamos, a gente resolveu vir para Guaporé e logo em seguida nasceu a terceira filha Raquel, eu tinha 24 anos, com três filhos pequenos.
O tempo passou e nós sempre lutando e trabalhando, assim conseguimos comprar uma casa com dois cômodos e banheiro, dormíamos num só quarto.
Com 26 anos engravidei novamente, foi uma gravidez difícil tanto que com seis meses perdi o meu filho Pedro, então tomei a decisão de não querer mais filhos.
Os médicos de Guaporé não quiseram fazer a laqueadura por que disseram que eu era muito nova, então como na época meu marido trabalhava na Perdigão em Serafina Correia, ele conseguiu para mim fazer a laqueadura através do plano de saúde, descontavam do salário dele em quatro parcelas, foi o Doutor Paulo e Enio Maçolin que fizeram todos os exames, em um mês me chamaram para fazer a cirurgia, até ai tudo bem, só que quando ia pagar a última prestação, descobri que estava grávida novamente, fiquei indignada com os Médicos, fiz todos os exames novamente e deu que naquele meio tempo, antes de fazer a laqueadura já estava grávida.
Mas tudo bem! Era para mim ter mais uma filha, a Jaqueline. Com 27 anos já era mãe do quinto filho foi muito sofrido, até o momento que tiveram a idade de trabalhar, começaram a nos ajudar a ampliar a casa, comprar alguns móveis... Hoje estão todos bem graças a Deus.Neste ano tive a oportunidade de voltar a estudar; estou gostando e a minha História com certeza continua.

G.

Em 1977 eu nasci.
Em 1980 meu pai adoeceu e descobriu que tinha câncer, em pouco tempo ele faleceu.
Em 1984 comecei a estudar na primeira série na linha nona, em Serafina Corrêa, onde estudei até quarta série, pois não tinha condições de ir para cidade. Passei a primeira Eucaristia, depois fui crismada.
Em 1990 comecei a sair com meus amigos e a conhecer alguns rapazes.
Conheci um rapaz que me chamou atenção, fui gostando cada vez mais dele.
Em1995 iniciei um namoro mais sério e neste ano me casei e vim morar em Guaporé.
No ano de 1997 nasceu minha primeira filha, hoje ela está com onze anos de idade, foi uma alegria para nós.
Um ano depois o meu irmão teve problemas de saúde, um tumor que foi se agravando até que ele ficou enfermo, acabou perdendo todos os movimentos do corpo.
EM 2004 nasceu meu segundo filho, hoje com quatro anos deixando-nos novamente felizes.
Em 2006 faleceu meu cunhado de acidente, caiu de cima de um pavilhão, ele era padrinho do meu filho, isso chocou toda a família.
Em 2007 o problema do meu irmão se agravou mais ainda e depois de 9 anos enfermo ele veio a falecer.
Em 2008 surgiu uma oportunidade de voltar a estudar, estou estudando no EJA da Escola Jairo Brum e estou aprendendo muitas coisas que não sabia. Estou muito feliz.

D.

Nasci no Hospital de Guaporé no ano 1968, há 40 anos atrás. A minha mãe tinha 16 anos, era jovem não tinha conhecimento da vida, do que tinha que passar, mas com muito sacrifício ela me criou.
Com oito anos de idade ela resolveu se casar e teve mais 5 filhos. Nós éramos muito pobres na época, era difícil, sofri muito, também por que era o mais velho.
Aos 14 anos, comecei a trabalhar. Comecei trabalhando numa cantina de vinho, fiquei dois anos trabalhando, a cada 30 dias eu ia pra casa ver a minha mãe e meus irmãos, daí deixava mais da metade do meu salário pra ela.
Já mais adulto, voltei pra casa na época da safra da roça, fiquei toda a safra, mas como não me enquadrava com o meu padrasto, resolvi sair de novo. Então fui trabalhar na Protege, onde trabalhei mais de um ano, daí o meu padrasto ficou doente, problema na visão, fiquei dois anos em casa, mas de novo não deu certo e voltei a trabalhar em Guaporé.
Fiquei trabalhando um tempo na parte da construção civil, trabalhei um bom tempo, já não lembro mais quanto. Depois fiquei uns seis meses desempregrado, até começar na Sulmaq.
Já faz 13 anos que eu trabalho lá, hoje eu me sinto uma pessoa muito feliz. Tenho dois filhos, a PALOMA e o MARCOS e tenho outro filho que se chama MAURICIO, que é filho da minha mulher, mas que considero meu filho mais velho, pois ele me respeita como se fosse meu filho. Se alguém me pergunta se eu sou feliz, eu digo que sim, porque tenho três filhos, tenho uma casa pra morar e agradeço a Deus pela minha saúde e dos meus filhos.

A.

Meu nascimento foi em 1989.
Em 1992 eu tinha apenas três anos e andava pelas ruas do centro de Curitiba com minha mãe e seus amigos alcoolizados, muitas vezes passei noites dormindo em bancos de praças.
Lembro que um dia minha uma amiga de minha mãe me levou para um bar, ela bebeu muito e começou a puxar brigas, daí o dono do bar chamou a polícia e o conselho tutelar, então fui levada para um orfanato, fiquei lá um ano, lugar horrível, sofri muito.
Em 1995 minha tia conseguiu me tirar do orfanato e me levou pra morar com ela, tinha quatro anos, mas me lembro bem. De vez em quando a mãe aparecia pra ver eu e meu irmão Jhonatan, ele desde pequeno sempre morou com minha tia.
A mãe morreu por causa do álcool.
Em 1997 eu já eu não era fácil, mas meus tios muitas vezes eram ruins por nada, eu sempre ficava pelas casas de parentes, sempre senti muita falta de minha mãe, mesmo não tendo ela todos os dias ao meu lado, era horrível viver pelas casas, assim acabei morando em vários lugares em Curitiba.
No ano de 2000, com onze anos, criei juízo e comecei a trabalhar em uma casa de família de doméstica e babá, trabalhei um ano e saí, mudei de bairro, fui morar com outra tia.
Comecei a trabalhar novamente de babá fiquei mais um ano e saí.
Em 2003 com quatorze anos, minha outra tia me chamou para ajudar no salão de beleza, e assim aprendi tudo sobre cabelos com ela, fiz alguns cursos,passando o tempo em 2005 eu já era profissional.
No ano seguinte com 17 anos, era uma jovem linda, segura de meu trabalho, com muitas clientes, independente e com juízo. Eu adorava sair com minhas colegas do salão e tomar uma cervejinha com minhas amigas, até que um dia, voltando para casa conheci o meu marido, Daniel.
Daniel trabalhava em uma empresa de ônibus, um loiro lindo com olhos bem azuis e muito simpático.
Com o tempo começamos a namorar e logo casamos, tudo isso em um ano.
Sua família é do RS, ele queria muito voltar para o Sul, conversamos muito então, mesmo não acreditando, decidi ir embora de minha cidade, com dezoito anos larguei tudo.
Hoje sei que sou nova, mas já sofri muito neste pouco tempo, mas posso dizer que sou feliz, tenho saúde, um marido lindo, duas família e minha casa.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Valtemir

Me nome é Valdemir, nasci no ano de 1975, sou natural de São Valentim do Sul.
Comecei a trabalhar com oito anos de idade, gostava de ajudar meu pai a fazer de tudo. Eu ia para o colégio e fazia as tarefa de casa, até o ano que saí de casa, eu tinha 14 anos e fui trabalhar longe da família, fiquei longe da minha mãe e do meu irmão, fiquei sem notícia por dois anos, depois fui trabalhar com parreira.
Já fui um pouco de tudo nessa vida, hoje já faz cinco anos que eu estou morando em Guaporé. Comecei a trabalhar como ajudante de pintor com o meu cunhado, depois fui trabalhar numa metalúrgica, até que fui trabalhar na SulmaQ Indústria de Equipamento de Inox. Agora estou muito feliz, adoro o que faço e me relaciono muito bem com os colegas.

Michel

Meu nome Michel, tenho 20 anos.
Quando eu era pequeno incomodava muito e jogava bola todas noites, era uma criança muito feliz. Tinha minha avó que brincava comigo, hoje sinto muita saudades dela.
Ia para o colégio e tinha muitos amigos e namoradas.
Quando tinha 10 anos, sofri um acidente de bicicleta, um fusca me atropelou, tive que ir para o médico, fiquei em coma, mas melhorei bem, tive que caminhar de muleta e fiquei com o braço comprometido, mas consigo ler e escrever bem.
Comecei a ir para as festas, mas agora parei porque não gosto mais, gasta muito dinheiro.
Hoje tenho muitos amigos, crianças e adultos, estou estudando na 5° série no EJA do Jairo Brum e gosto muito porque aprendo bastante.
Minha vida familiar está boa, tem o meu padrasto Valdir que gosto dele, o tio Azevedo, a minha mãe que é muito boa. Meu pai faleceu a pouco tempo, estou muito triste, dá uma dor por dentro, mas isso me dará sorte, por que ele vai cuidar de mim. Agora pretendo estudar para ocupar a cabeça e não sofrer muito.
No momento não estou trabalhando, mas o dinheiro faz falta, tenho uma namorada chamada Cristina, gosto dela.
Para o meu futuro espero casar, viajar, gastar dinheiro, acabar os estudos com sorte. Também desejo sorte para minhas professoras e meus colegas.

Marli

Meu nome é Marli, nasci em 21/04/67.
Tive uma infância muito pobre difícil, tive que parar de estudar aos 13 anos, para ajudar minha família, então saí de casa aos 14 anos para trabalhar, e também meus pais brigavam muito e isso me irritava.
Dos 14 aos 17 anos, não tinha amigos e vivia longe da minha família, assim sofria muito e era muito revoltada.
Aos 21 conheci o meu marido, com quem me casei e tenho 3 filhos.
Atualmente estou realizando um sonho, o de voltar a estudar. Estou gostando muito das aulas e apesar do cansaço tenho vontade de ir para a escola, pois nela estou fazendo muitas amizades.

Fernando

Meu nome é Fernando, tenho 23 anos e vou contar um pouco da minha história.
Meus pais se separaram quando eu tinha nove meses, daí fui criado pelo meu padrasto, eu chamava ele de pai, mas ele nunca me aceitou como filho dele, batia em mim e na minha mãe, só não batia na minha irmã, porque era filha dele. Minha mãe tinha medo de entregar ele para a polícia, porque ele ameaçava ela de morte, no fundo ela sabia que ele era ruim mesmo, tanto que ele já tinha matado um casal de gêmeos, que eram meus irmãos. Minha mãe estava grávida de seis meses, nesse dia, vendo aquela situação eu chorava muito para o meu padrasto, era uma forma de tentar defender a minha mãe, mas de nada adiantou porque daí ele batia em mim e me mandava calar a boca. Nessa época eu tinha 8 anos de idade, só chorando mesmo para defende-la, nós morávamos em Arvorezinha.
Quando fiz 14 anos mudamos para Guaporé...

Altair

Meu nome é Altair, tenho 39 anos e nasci na cidade de GUAPORÉ, no dia 06/03/1969. Tive uma infância não muito boa porque a minha família era grande, nós éramos oito filhos, o pai e mãe tinham que trabalhar para nos sustentar, então não tínhamos muita atenção. Mas o tempo foi passando, novas brincadeiras foram aparecendo e a idade foi aumentando.
Por volta dos sete anos de idade comecei a estudar na primeira série da escola Frei Caneca. Lá fiz muitos, como o Julio, mas não era só estudar, tínhamos que ajudar nas despesas da casa, então meu pai fez um negócio com uma vizinha, ele construiria uma casa para ela e em troca ela daria uma vaca de leite para ele, assim comecei a usar o tempo livre que eu tinha para brincar, levava a vaca pastar a vaca para poder vender mais leite, para arrecadar mais dinheiro para ajudar no orçamento da casa, assim os anos foram passando.
Aos 14 anos comecei a trabalha na MM, fiquei 2 anos daí a fábrica fechou e eu fui para a Paquetá, onde fiquei mais um período. Depois saí e fui trabalhar na Sulca, onde fiquei oito anos, foi ali que conheci a minha esposa.
Me casei aos 18 anos e estou casado até hoje, tenho um filho chamado Augusto que tem 16 anos e está cursando o ensino médio.
Perdi meu pai há 16 anos atrás, foi uma perda muito ruim, mas tudo se supera. Depois de dois anos perdi minha mãe, outra perda irreparável, mas fui superando aos poucos.
Atualmente trabalho no Zandei Plásticos, já faz 14 anos que trabalho na empresa. Agora voltei a estudar novamente, depois de 25 anos estou adorando, pretendo continuar para ter uma boa aposentadoria, para viver tranqüilo para o resto de minha vida.